Scrum na prática, funciona?

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No artigo de hoje vou transparecer a visão que tive ao longo de 9 meses sobre o Scrum na prática.

Bom, na teoria, o Scrum é lindo e tudo parece ser as mil maravilhas, mas na pratica quando vamos aplicar não é bem isso que vemos, pois, nem sempre conseguimos aplicar a ideia a risca e acabamos por fazer adaptações ou usar pequenas partes desse framework a nosso favor, não alterando muito a maneira como já trabalhávamos antes.

Sentiu familiaridade nesse parágrafo acima com o que acontece na sua empresa? Pois é, vou explicar melhor o porquê disso.

Vivemos hoje uma transição do modelo de administração do negócio organizacional, as empresas estão começando a entender que precisam de um modelo novo de gestão, mais articulado e que não seja tão engessado, que não siga tantos processos burocráticos e principalmente que não seja um modelo do século passado, acredite você ou não, muitas empresas pararam no tempo e ainda seguem muitas ideias de administração baseadas no fordismo!

Ainda temos o costume de projetar nossos projetos como se estivéssemos lançando foguetes a lua, definindo tempo para as atividades e criando cronogramas apertados, sendo maravilhosamente otimistas que tudo sairá de acordo com o caminho das flores, mas assim como errar os cálculos de um foguete a lua, uma projeção errada de tempo custa muito estresse e pressão ao time de desenvolvimento como um todo, o ambiente se torna maçante e o líder tem que quebrar a cabeça para “desafogar” o time.

Essa é a causa de ser tão complicado para alguns gestores implementar um framework ágil como Scrum em suas organizações.

Uma das primícias do Scrum é usar projetos passados para conseguir ter uma ideia de quanto tempo um novo projeto vai levar para estar pronto, ou seja se você está implementando Scrum agora no seu time, não conseguira dizer a ninguém quanto tempo o time irá demorar para fazer um novo projeto.

Uma afirmação dessas assusta qualquer gestor, e se dissermos que um projeto deve ser feito por vez, evitando assim a troca de assunto na cabeça dos desenvolvedores e o famoso “multi-task”, assustaremos mais ainda.

Isso porque o Scrum tem certos “rituais” que devem ser seguidos e se são ignorados percebemos que utilizar a ideia se torna extremamente falha.

checklist scrum

Não existe maneira de cumprir os rituais em vários projetos simultâneos, com a mesma equipe de desenvolvimento, então os gestores e empresas acabam por fazer “adaptações”  no Scrum e usar apenas uma ou outra facilidade desse framework.

Os rituais mais importantes que não devem ser removidos em nenhuma adaptação ao meu ponto de vista são:

– Daily Scrum;
– Planning Meeting;
– SPRINT Planning;
– Retrospective Metting;

Sem esses rituais é praticamente impossível dizer que está rodando Scrum em um ambiente de desenvolvimento, e se você é líder deve se atentar também ao famoso planning poker para definir a complexidade e valor dos módulos do sistema junto da sua equipe, se isso não acontecer, você não saberá quanto tempo é gasto para fazer um módulo de complexidade 5 (numa escala de 0 – 10) por exemplo;

enjoythecode

Um outro ponto extremamente importante para que o Scrum funcione em uma empresa é, ter uma equipe madura o suficiente para aderir a ideia, pois fazer daily meetings para os integrantes dizerem todos os dias que nada está impactando, mas ao mesmo tempo o projeto não evoluir, é uma das coisas mais frustrantes para qualquer líder.

O líder ou Scrum master precisa conscientizar a equipe que as daily meetings servem para pedir ajuda se necessário, e também para informar os integrantes do time qual a situação que o time está passando.

O time precisa agir como se fossem uma coisa só, é como se cada integrante fosse uma perna de um corpo maior, e esse corpo maior é o time.

Por isso podemos afirmar com convicção que:

– sem um mindset definido de time;
– sem uma equipe madura;
– e muito menos sem seus rituais básicos;

O Scrum nunca vai rodar de forma efetiva na sua empresa ou em qualquer lugar que você tente implementa-lo.

1 comentário


  1. Fala Lucas, eu sinto na pele este problemas. Na minha opinião o maior problema é a falta de Coragem para assumir os erros (de gestões passadas). Isso impede a transparência do processo e dá aquela sensação de que todo trabalho de aplicação da metodologia foi em vão.

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