Minhas experiências em processos de seleção para desenvolvedores

Tempo de leitura: 5 minutos

“Olá Sr. Candidato, você foi aprovado para próxima fase do processo de seleção. Agora, iremos enviar um teste técnico, okey?”

Uma frase que causa, ao mesmo momento, uma alegria e uma apreensão para o candidato. Isso mesmo, nem tudo são flores. Mesmo para os mais experientes, essas palavras dão uma desmotivação absurda no processo de seleção. 

Mas, por quê? Quais as causas? O que nos faz temer o tal teste?

Uma visão pessoal

Em 15 anos de experiência no mercado profissional, me deparei com diversos tipos de testes seletivos. Certamente, passei por muitos (rsss), pois quem julga meu currículo, logo pergunta: porque você muda tanto? – mas esse é um assunto para outro texto.

Voltando ao processo seletivo. Passei por diversos deles: entrevistas técnicas, provas, simplesmente acreditar no que está no currículo, conversas em mesa de bar… Isso mesmo, entrevista tomando aquela cerveja com o arquiteto da empresa. Enfim, inimagináveis processos que até hoje eu, em determinados casos, não consigo entender qual realmente funciona.

O anúncio da empresa diz:

Requisitos obrigatórios: 

  • Conhecimentos avançados em Spring Boot;
  • Conhecimentos avançados em algum Front-End JS;
  • Ter atuado com Docker – Kubernets – Jenkins – AWS;
  • ETC.

OK, vamos lá!

O candidato que envia o currículo para esta vaga, no mínimo, é um desenvolvedor que possui uma experiência com os frameworks descritos no anúncio da vaga. Provavelmente, atua com backend e frontend e possui um extra com assuntos de devops. Ou seja, hoje um contexto de fullstack.

Vou fazer uma pausa e citar alguns tipos de testes que eu já passei. Quero analisar, com calma, o que realmente cabe dentro deste cenário para um candidato. Portanto, vamos avaliar os seguintes temas:

  •     Conversa técnica;
  •     Prova técnica com e sem acesso à pesquisa;
  •     Hackerrank;
  •     Prova home office (com funcionalidade a ser entregue dentro da especificação).

Conversa técnica funciona?

Uma conversa técnica, com base no currículo do candidato é uma excelente opção para saber o seu nível de conhecimento. O candidato que informa suas tecnologias no currículo consegue conversar, analisar e responder à questões importantes dentro do framework que é abordado no dia a dia de desenvolvimento, aplicando cenários e casos. Acho isso muito válido e, dependendo do entrevistador, pode ser bem mais complexo do que uma prova escrita.

Opinião: Acho bastante conveniente!!

Prova técnica, sem acesso a pesquisa, funciona?

Quem lembra da API de conversão de datas, IO, e outras mais, ao ponto de realizar uma prova, em um notepad++, tendo que realizar métodos que realizem alguma funcionalidade que exija conhecimento da API, SEM ACESSO A PESQUISA?

Não entendo este tipo de prova. Não avalia o potencial de fato, além disso exclui um possível candidato muito bom. Atualmente, não pesquisar não é uma opção, visto que a evolução de API’s é constante.

Opinião: Acho um engano! Isso me parece uma soberba de líderes técnicos que existem no mercado.

Desculpem-me a opinião forte, leitores. Mas existem muitos profissionais assim. Ainda mais para um setor tão competitivo que o legado dos profissionais nos trazem, hoje o ideal não é estimular competição, mas a colaboração.

Hackerrank

Este realmente me surpreende. Realmente não entendo uma descrição de vaga para backend, front end etc, com uma prova técnica deste nível. Se fosse uma vaga de cientista de dados, tudo bem… Mas uma vaga de DEV, com requisitos dentro dos frameworks, que em sua maioria são atividade de negócio?
Esse candidato, ter que passar por um teste de lógica pesado, inclusive algoritmos em sua maioria avançados, não tenho certeza se isso é realmente importante.

Um DEV tem que se tranquilo, não se desesperar, manter a calma. Acredito que seja isso que os entrevistadores querem analisar com esses testes, do contrário, não vejo aplicabilidade dentro do mercado de desenvolvimento de softwares.

Opinião: Desnecessário!!

Prova Home Office

Meu preferido. Não pelo conforto do seu lar e o tempo para fazer, mas por simplesmente avaliar diversos cenários importantes.

Geralmente é uma funcionalidade, um CRUD, uma pesquisa, um acesso a rest’s etc. Isso é muito interessante partindo do princípio de que você vai entregar: qualidade do código, tempo de execução, build da entrega (é fácil execução ou não?), completude da funcionalidade, enfim, existem 1001 analises interessantes ao se fazer esse tipo de abordagem

Mas afinal, o teste técnico realmente é importante?

É importante demais. É a avaliação de conhecimentos e troca de experiências entre entrevistador e candidato. Entretanto, existem variáveis que não se medem em uma entrevista técnica. Todos os candidatos ao serem perguntados quais suas qualidades e defeitos, dizem: “Sou proativo, tenho conhecimentos que ajudam minha empresa a atingir os objetivos. E os meus defeitos: sou ansioso!! Quando começo a trabalhar?”

É isso mesmo, mas o dia a dia do DEV é que vai dizer quem realmente ele é. Já vi muita gente boa – e põe boa nisso – não conseguir se adaptar e se enquadrar em um time de desenvolvimento. Existem equipes que as pessoas são fechadas, sem comunicação, que se preocupam muito mais com o seu trabalho individual do que com o time.

É difícil encontrar um DEV que, apesar de não conhecer tudo, busque o conhecimento, ajude o seu time, seja “fuçador”, vai atrás de aprender coisas novas, erre e saiba onde errou para dizer para o seu time: “pessoal, passei por este erro, se alguém precisar de algo parecido está documentado aqui!!”

Meu ponto de vista: aspectos técnicos importam demais.

Mas a longevidade não tem relação com aspectos TÉCNICOS, até porque o desenvolvedor vai aprender como a empresa desenvolve suas atividades gradativamente. Certamente existirão features próprias. Portanto, sua longevidade depende do comportamento e proatividade do candidato.

Para termos o INICIO não é necessário um teste técnico avançado, é preciso apenas ter a certeza que, se tiver um problema, o DEV, saberá o caminho das pedras para arrumar a casa.

Esqueci! 

Dica: aprenda inglês, seja fluente, pois isso sim, irá abrir portas inimagináveis para você!

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