A mulher no mercado de tecnologia

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Quando o curso de bacharelado em computação chegou ao Brasil em 1974 as mulheres representavam 70% dos alunos. Na história da tecnologia encontramos muitas mulheres que desempenharam papéis de grande importância. O primeiro algoritmo processado por uma máquina foi desenvolvido por Ada Lovelace. O que é considerado o primeiro software de computador é de autoria de Grace Hopper.

Inicialmente os cursos de computação eram comumente associados ao secretariado, uma área majoritariamente feminina. Conforme o setor foi crescendo e ganhando valor no cenário mundial, esse mercado se tornou predominantemente de homens. Segundo a pesquisa do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios) em 2009 menos de 20% dos profissionais de TI eram mulheres.

mulher no mercado

Como fomos de um cenário de maioria para minoria?

Sendo um dos setores que mais cresce na atualidade, a disponibilidade de vagas não é um problema para quem procura um posicionamento. No que diz respeito as contratações, não é possível dizer que mulheres são contratadas tanto quanto homens, o que não necessariamente implica um favoritismo por homens nos processos seletivos. Há hoje no mercado tecnológico muito menos mulheres do que homens, mesmo empresas com políticas para contratação de mais mulheres têm dificuldades para preencher essas vagas.

Se formos a uma universidade podemos ver uma clara distinção entre a quantidade de alunos homens e mulheres nos cursos de computação. No segundo semestre de 2017 tive uma disciplina que em uma turma de 30 alunos, havia apenas 7 mulheres; em outra disciplina a discrepância era ainda maior, na turma em que havia 50 alunos somente 4 eram mulheres. Quanto ao corpo docente posso dizer que em 6 períodos de curso, tive contato com apenas uma professora mulher. E esse cenário se repete nacionalmente.

Para explicar esses números muitas pessoas defendem que mulheres não se interessam por tecnologia, ou que mulheres “não levam jeito” para essas áreas. Especialistas afirmam que a diferença não está na qualidade ou conhecimento técnico, mas que se trataria de algo cultural.

A cultura da tecnologia

Em busca de responder por que há menos mulheres em cursos relacionados a tecnologia, identificou-se que a origem disso está na juventude.

Não é incomum que ao irmos a uma loja de brinquedos, nos perguntem se buscamos um presente para menino ou para menina. O computador passa por esse mesmo processo. Quando os PCs começaram a ganhar popularidade, esse se tornou um “brinquedo de menino”. Os homens são estimulados desde a infância, enquanto as mulheres têm sua educação voltada para o cuidado.

Profissionais do ramo dizem que além da falta de estímulos outros fatores contribuem para a falta de envolvimento por parte das jovens, um deles é o fato de não haver representatividade, apesar de sempre mencionarem Marissa Mayer e Sheryl Sandberg (Yahoo e Facebook, respectivamente), os exemplos femininos são escassos.

Solução a longo prazo

Hoje em dia existem algumas iniciativas que estimulam o envolvimento feminino no meio tecnológico. Esses grupos buscam meninas no período de adolescência e ensinam programação, incentivam as alunas do ensino médio a participarem da competição global de desenvolvimento de apps. Espera-se que com isso mais meninas considerem a carreira em tecnologia na época do vestibular.

Alguns grupos conhecidos são as Pyladies, Code Girl e Meninas Digitais, porém existem muitos outros. Geralmente os grupos tem atuação nacional com representantes em algumas localidades. Em 2015 a estimativa era de que 1,8 milhões de meninas tivessem contato com as iniciativas.

Esse texto foi escrito por: Carolina Moutella, Linkedin

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