O Iceberg de UX – O que é, como funciona?

Tempo de leitura: 8 minutos

UX                      O barco é seu projeto

Quando iniciei na área de UX, uma das primeiras imagens que me apresentaram foi o Iceberg de User Experience. Volta e meia tento explicar de maneira fácil para amigos ou familiares além de pessoas mais próximas profissionalmente e por esse motivo venho trazer uma luz, já que todos os textos que encontrei na Web acabam não trazendo muita profundidade sobre o tema (haha!).

Mas afinal, o que é o iceberg de UX e o que ele quer dizer? O que cada uma das camadas, desde o ponto mais profundo até a superfície representam?

O Iceberg é uma ilustração feita por Trevor van Gorp, inspirada no livro The Elements of User Experience, de Jesse James Garrett, nele ele apresenta um gráfico onde mostra quais seriam aqueles considerados os elementos que compõem uma boa experiência de usuário no momento do desenvolvimento de um produto, sendo elas: estratégia, escopo, estrutura, esqueleto e superfície.

UX

ilustração feita por Trevor van Gorp

O Iceberg de UX divide o processo de design de um produto em etapas, de forma que ele seja centrado no usuário. Antes de pensarmos na interface de um projeto de software e em como ela deve ser, primeiramente temos que pensar nas pessoas que estarão a usando e quais as suas necessidades.

“A usabilidade em si é apenas um grande bloco de um Iceberg de UX, como visto abaixo, e uma parte da experiência geral do usuário de produtos, seja ele físico (relógios) ou online(websites).”

– Marko Nemberg, Sales and Marketing Manager na Trinidad Wiseman

Estratégia

A parte que se encontra no fundo do oceano é a de Estratégia. Ela consiste no trabalho de investigar quais são as necessidades das pessoas que vão interagir com seu produto/serviço.

Neste momento, é importante colher as user needs, pois é por meio dessas necessidades que as próximas etapas de todo o processo poderão ser cumpridas. Ou seja, esse é o momento onde as pessoa que trabalham com pesquisa se encontram, pois é nessa etapa que são levantadas questões importantes como:

  • Qual o motivo do produto, aplicativo ou site?
  • Por que o criamos?
  • Pra quem estamos fazendo isso?
  • Por que as pessoas estão dispostas a usá-lo?
  • Por que precisam dele?

Isso pode ser feito por meio do Processo de Pesquisa Estratégica, no qual você entrevista usuários e todas as partes interessadas, além de revisar os produtos ou empresas concorrentes.

Escopo

Esse é o momento de definir os requisitos funcionais e de conteúdo para o produto que está sendo desenvolvido. Quais os recursos e conteúdos a aplicação devem ter, quais requisitos ela deve cumprir e como eles estarão alinhados com os objetivos estratégicos da organização.

Requisitos funcionais: vamos primeiro a o que é requisito. Requisito é uma exigência, solicitação, desejo, necessidade. Um Requisito Funcional nada mais é que uma requisição de uma função que um software deverá atender/realizar.

Requisitos de Conteúdo: são as informações que precisamos para fornecer o valor ao nosso consumidor. Informações como textos, imagens, áudio, vídeos, etc. Sem definir o conteúdo que gostaríamos de mostrar, não temos ideia sobre o tamanho ou o tempo necessário para concluir o projeto.

Estrutura

Nessa etapa é definido como o usuário irá interagir com o produto, como o sistema irá se comportar quando o usuário interagir com ele, como ele é organizado e como as informações são priorizadas para facilitar o entendimento. A etapa de Estrutura é composta por dois momentos: o Design de Interação e a Arquitetura da Informação.

Design de Interação: por meio dos requisitos funcionais, é definido como o usuário pode interagir com a interface do sistema e como esse sistema vai responder às interações do usuário.

Arquitetura da Informação: depois de entender quais serão os conteúdos mostrados na sua interface, nesse momento, você irá definir o arranjo desses elementos e como eles serão organizados para facilitar o entendimento do seu usuário.

Quando o Design de Interação é bem feito, ele:

  • Ajuda os usuários a realizarem seus objetivos;
  • Comunica de maneira efetiva como as interações e funcionalidades devem ser feitos;
  • Informa os usuários sobre as mudanças dos estados (quando uma ação termina, dá ao usuário um feedback eficaz) enquanto a interação acontece;
  • Evita que o usuário cometa erros críticos, como não confirmar uma exclusão de uma dado que pode ser extremamente prejudicial.

Ao pensar em uma boa Arquitetura da Informação, você permite:

  • Que os dados sejam organizados, categorizados e priorizados com base na necessidade do usuário e nos objetivos da organização;
  • A compreensão dos usuários sobre o que está ocorrendo na interface;
  • Que toda a estrutura seja flexível para acomodar possíveis crescimentos e adaptar a mudanças;
  • Que as informações sejam mostradas da maneira mais simples para o usuário.

Esqueleto

O esqueleto determina a forma visual da tela, a apresentação e disposição de todos os elementos que forem necessários para a que a interação ocorra com uma funcionalidade existente na interface. Além disso, é necessário pensar em como as informações serão apresentadas para torná-las efetivas e de fácil entendimento.

É nessa etapa onde são criados os famosos wireframes, extremamente úteis para criar um modelo visual de como ficaria uma interface. Ele é um diagrama estático do produto, composto por conteúdo, navegação e como as interações irão funcionar.

A etapa esqueleto é composta por três momentos: o Design de interface, Design de navegação e o Design da informação.

Design de interface: momento onde é projetado como serão organizados e apresentados os elementos de interface para permitir que os usuários interajam com o sistema;

Design de navegação: é desenvolvido como o usuário navegará pelas informações usando a interface;

Design da informação: define como as informações serão mostradas de maneira que facilite a compreensão do usuário.

Então, o esqueleto deve responder a estas perguntas:

  • Qual será a forma que todas as coisas serão apresentadas na tela;
  • Como as interações serão apresentadas para o usuário e como será organizada de forma a facilitar a compreensão;
  • Como os usuários irão se movimentar pela aplicação;
  • Como as informações serão mostradas de maneira fácil e clara.

Superfície

É a última camada, mas não menos importante. Por se tratar da camada que está acima de tudo, ela é a soma total dos trabalhos e decisões que foram tomadas nas etapas anteriores. Esse é o momento onde determinamos como será o produto e qual será o layout, como será a tipografia, as cores e etc.

Na camada da Superfície é onde estaremos lidando com o Visual Design (Sensory Design), onde nos preocupamos com a aparência visual do conteúdo, que mostra como os usuários poderão interagir com o produto. Esse é o momento de tornar todas as coisas mais fáceis de entender, fazendo com que os usuários entendam o que você quer que eles façam apenas vendo a tela.

o iceberg de ux

Conclusão e considerações finais

Cada uma das camadas depende das outras abaixo dela. Se a sua camada de estratégia for fraca, você vai pagar por isso durante todo o projeto. Quando decisões ou escolhas são tomadas em uma camada, essa decisão vai afetar suas escolhas nas próximas camadas.

Suas decisões podem mudar com o tempo, e se você considerar as decisões a serem consertadas, você poderá acabar construindo algo que ninguém quer. Se você estiver na etapa da Superfície e precisar melhorar uma funcionalidade, poderá voltar para a etapa de Estrutura e torná-lo melhor.

Para resumir como as cinco camadas funcionam juntas, começamos pela Estratégia, que é a base de qualquer UX bem sucedida.

A estratégia se torna Escopo quando as necessidades de usuários e empresas são convertidas em requisitos de conteúdo e funcionalidade.

Escopo se torna Estrutura quando definimos as formas de interação com as funcionalidades do sistema, a resposta do sistema e como as informações são organizadas.

Desenhar cada tela do sistema (por exemplo, usando wireframes) para apresentar as áreas de interações e estrutura definidas na etapa de Estrutura e como as informações serão apresentadas claramente é o que fazemos na camada Esqueleto.

Finalmente, na Superfície, tornamos todo o trabalho e decisões que tomamos em uma apresentação visual final.

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