Do bracelete ao escudo, que ferramenta eu uso?

Tempo de leitura: 8 minutos

No mundo da tecnologia o que não faltam são aqueles canivetes-suíços que fazem tudo, e, ao mesmo tempo, não fazem nada.

A cada dia um novo framework é criado, nasce uma nova metodologia e um novo unicórnio vê seu chifre colorido alçar voo.

“Gosta de JavaScript? Então, tem que usar a ferramenta do momento!”

“Sabe aquele pré-processador que faz quase todo o trabalho sozinho, porque você não usa?”

“Como assim? Você não usa transpilers? E vive ainda com libs?”

“Tem um minuto para ouvir a palavra do deus Angular?”

É tanta coisa que, muitas vezes, o jovem programador não sabe escolher entre o Notepad++ e o super-duper-mega-blaster Visual Studio. Existe uma anedota que diz que você sabe quão bom é um programador dando para ele alguma ferramenta para matar uma mosca zumbi (a parte do zumbi é minha ideia mesmo, continua aí…). Dependendo de qual arma ele escolher você sabe que tipo de coisa ele pode fazer e se o contrata, ou, não.

do bracelete ao escudo

Para fazer o teste, dê o seguinte arsenal:

  • 1 zarabatana (daquelas que o Chaves usava);
  • 1 estilingue (daqueles que você usava para quebrar o vidro da janela do vizinho);
  • 1 rifle (daqueles semi-automáticos, que só quem tem posse de arma pode comprar);
  • 1 bazuca (daquelas que o Nemesis usa quando vai atacar a Alice).

O problema: existe uma mosca infectada com o T-vírus numa sala e ele precisa liquidar a mosca de forma segura para não infectar a quem estiver na sala, nem as outras moscas do local.

A bazuca

Vamos começar de trás para a frente. Se ele escolher a bazuca, ele conseguirá matar a mosca, e até surtir algum efeito no T-vírus que estava nela, mas, em compensação isso vai destruir a parede e permitir com que as demais, essa hora já infectadas, saiam da sala e que toda a infecção que já está circulando no ar seja propagada fora da área de quarentena.

O rifle

Pegando o rifle ele conseguirá atingir à pequena mosca, isso, se tiver uma boa mira. Se não, ele irá gastar todas as balas e deixará a parede parecendo uma peneira. A vantagem é que os tiros não vão ser suficientes para que o vírus se espalhe fora da quarentena, no máximo vai derrubar uns pedaços da parede no chão mesmo. Mas, em compensação, como, provavelmente a mosca não morreu, logo depois ele será infectado por ela.

O estilingue

Escolhendo o estilingue, a menos que seja treinado por Davi e acerte com apenas uma pedra, que ele conseguiu pegar do que sobrou da parede cheia de tiros, tudo bem. Se não, vai ter que jogar as tampas dos tubos de ensaio e ficar tentando acertar a mosca. O problema é que isso não vai acontecer, já que a mosca voa bem rápido e enquanto o objeto for chegando ela sairá tranquilamente vendo uma parábola formada pelo objeto lançado, tipo a cena do Quicksilver (Mercúrio) usada 2 vezes no X-Men.

A zarabatana

Chegamos ao mais “cara do pulmão de ouro”. Sabe aquele que controla a respiração a ponto de conseguir uma nota alta com a mínima quantidade de ar? Aquele cara que deixaria o Vitas no chinelo? Aquele que faria a Murta que Geme pedir arrego? Então, não é esse cara. Mas, ele sabe assoprar bem e treinou com uma flauta-doce toda a sua infância, “vai que é tua e mata ela”. Ele, com certeza será o nosso salvador, pelo menos é o que esperamos. E não é que foi mesmo? Mais rápido que a velocidade da luz, ou uns 50 cm/s na real, lá foi a bolinha de papel cheia de cuspe, que a mosca não teve nem como ver em suas dezenas de olhos, #sqn.

As ferramentas complexas

Ferramentas complexas, pesadas e cheias de “firulas” sempre ajudam. Mas, sabia que seus dedinhos permitem digitar System.Out.PrintLn do mesmo jeito que o NetBeans completa o sout? Nem todas as vezes que você for escrever um “Hello World” você vai precisar de todos os métodos que o .Net tem e que estão à um clique do NuGet lá no Visual Studio. Quase nenhuma vez você vai usar aquela visualização macro do projeto que só o Sublime tinha (agora o VS Code também tem, e sabia que até o Notepad++ tem?) e que permite “ver todo o código”, como se você tivesse uma lupa no olho e fosse encontrar o “ponto-e-vírgula” que falta na linha 13.456 graças a ele…

O mesmo se aplica ao framework da moda. Já foi o .Net, agora, tudo é “Angular”. React tá tomando conta do mobile, Cordova já foi e voltou, Rails, Symphony, Vue, InfernoJS, é, literalmente o cara-de-baixo à quarta. “Toda semana” nasce uma nova ferramenta que vai ficar no lugar do Neo e salvar os programadores/desenvolvedores dessa Matrix. “Senta lá Cláudia”…

Quase uma imposição, digo, sugestão

Agora, eu faço uma pergunta: sabe o que a semideusa que chamamos de Mulher-Maravilha usa além de sua agilidade para proteger o que mais lhe importa? Um bracelete. Ela tem super-força e velocidade, mas, usa aquele simples adorno de guerra para proteger seus pulsos, afinal, sem os pulsos ela não consegue usar sua mão, a parte mais importante do seu corpo, pois, a espada não vai se auto-segurar, muito menos o escudo, a menos que ela seja filha do Professor X (Legion S2 <!– Insira 2 corações de um Time-Lord aqui –>)…

Muitas vezes preferimos a opção mais complexa, mais cheia de adornos, mais encorpada, e esquecemos do básico que precisamos. O meu “bracelete” e sugestão é aquele jovem menosprezado, que surgiu para quem estava órfão do Dreamweaver (mentira, sempre preferi o NVU), o quase sem fama: Brackets. Sabe o porquê? Sou front-end, e amo JavaScript. O Brackets é feito com S2 em JavaScript e é uma mão-na-roda, não porque a reinventa, mas, porque ajuda.

“Aí, mas o Atom também!”. Sim, mas o Atom não é standalone. Como assim, o Atom não é standalone? Por ter um servidor NodeJS rodando junto com o chromium que é sua base, o Brackets me economiza o tempo de criar um server.js, abrir o Terminal e fazer um “node run”.

“Aí, mas que preguiça!” Chamo isso de produtividade (mas, também é preguiça). O que é mais rápido? Importar as dependências do Express (ou sua opção de servidor Node favorita, se é que você usa Node, nada contra, até tenho amigos que ainda usam IIS), ou, apertar CTRL+ALT+P e aguardar alguns segundos até o Brackets abrir o Live Preview? Tá bom, se o Chrome e/ou sua máquina tiver pouca memória isso pode ser pesado. Mas, voltamos ao ponto inicial: se está tão complexo e pesado, será que você precisa de tudo isso? E o seu cliente, precisa daquele site que pisca, cheio de paralaxes e toda a sorte de interações de “UX”?

Poderia escrever várias comparações, pontos fracos e fortes para usar a ferramenta que eu uso, mas, a ideia não é essa. A parábola/anedota foi para mostrar que não importa a ferramenta que você usa, desde que o resultado seja o esperado. Se você vai entregar o código limpo, organizado, semântico, seguindo boas-práticas, utilizando um padrão de escrita, legível e, o mais importante, que resolva o problema, não importa qual ferramenta você utiliza, qual metodologia, que tipo de teste faz, seja TDD, DDD, DDI, Interlig, Skype, liga à cobrar ou se tem 20 GB no TIM Beta.

Escolha a ferramenta que mais se adequa ao seu ambiente de trabalho. Aprenda a buscar por aquelas que te ajudem, não aquelas que você precisa de um dicionário de atalhos. Teste! Não me refiro aos testes de programação, esses também são importantes, mas, teste outras ferramentas. Seja empirista, não tem como saber se é bom (ou ruim) sem testar. Toda IDE tem a sua vantagem e sua desvantagem, apenas pare de querer impor a que melhor se adequa ao seu comportamento de desenvolvedor e pense um pouco fora da caixa. Se o mundo fosse do jeito que queremos, não existiria IE (exemplo de “faz o básico”) nem Chrome (aquele que faz tudo, e mais atrapalha do que ajuda).

É isso, obrigado pelos peixes, “nunca seja cruel, nem covarde, e nunca coma pêras – olha, nisso discordo do Doctor, mas, continuando… -, Lembre-se, ódio é idiotice e o amor é sempre sábio. Ria muito, corra rápido e seja gentil.” (crying face, não tem como não chorar com o Capaldão)…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *