Trajetória de um desenvolvedor sem diploma

Tempo de leitura: 6 minutos

Graduei em farmácia em 2014 na UFMG (http://www.farmacia.ufmg.br/) e desde então trabalho na área, atualmente sou contratado na Fiocruz (https://portal.fiocruz.br/pt-br) para trabalhar com pesquisas em Estudos de Utilização de Medicamentos (EUM). Embora minha formação não seja relacionada à computação, meu interesse e curiosidade são como de criança – tenho o costume de acompanhar e me impressiono com os avanços da tecnologia – esse fascínio levou-me ao desejo de aprender programação.

No início de 2017 resolvi dar uma virada na vida profissional: aprender programação para trabalhar diretamente com isso ou aplica-la para o que desenvolvo na farmácia. Pesquisei na internet sobre linguagens para iniciantes com potencial de empregabilidade e decidi por Python.

Como comecei

Comecei assistindo vídeos no YouTube e fiz um curso básico no Codecademy (https://www.codecademy.com/pt-BR) para aprender os fundamentos da sintaxe da linguagem. Quando me senti em um nível confortável de entendimento veio uma grande dúvida: fazer uma nova graduação ou continuar o aprendizado por conta própria?

Voltei à internet e confirmei o que eu pensava. O diploma ajuda nas oportunidades de emprego e a faculdade permite maior networking, porém não é uma regra, é possível conseguir trabalho sem diploma e a área de computação é uma das mais abertas nesse sentido; já na farmácia, é praticamente impossível sem o “canudo”.

Como nesse momento não estou disposto a outros 5 anos de faculdade (talvez mais ora frente), busquei um curso “profissionalizante” virtual. Encontrei a Udacity (https://br.udacity.com/), escola que oferece um curso de Desenvolvedor Web de nível iniciante/intermediário. Primeiro, assisti alguns vídeos gratuitos de suas aulas, li sobre a metodologia utilizada e as opiniões de ex-alunos. Decidi investir.

Gostei bastante do curso, a escola possui parceria com grandes empresas como Google, Amazon e Facebook e as aulas são ministradas por profissionais com experiência. Além da parte técnica, há conteúdos sobre criação de currículo, orientação para entrevistas e preparação de Linkedin (https://br.linkedin.com/) e GitHub (https://github.com/).

Começando a buscar oportunidades

Finalizei o curso em novembro de 2017, e um pouco antes, já havia começado a buscar oportunidades de inserção no mercado: mandei currículos, inscrevi-me em sites de RH específicos para desenvolvedores, como a Vulpi (https://vulpi.com.br/), fiquei atento ao Linkedin e aos grupos em redes sociais. Como esperado, não é um processo fácil.

Classifico algumas dessas tentativas como totalmente sem sucesso por não receber nenhum fedback (hoje, elas somam 6). O silêncio de empresas e de seus departamentos de recursos humanos é a pior resposta possível. Saber o motivo da recusa auxilia no melhor preparo e na busca por suprir deficiências. Ser ignorado sem merecer um ‘não’ me coloca um pouco para baixo e com a dúvida se estou realmente fazendo o certo.

Já em outra empresa, Fizeram uma entrevista inicial pelo telefone e depois marcaram um dia para ir até lá. Porém na data escolhida , eu estaria viajando pela Fiocruz e não podia deixar na mão a equipe da qual faço parte. Tentei remarcar a data, o RH ficou de me retornar, já faz 3 meses e nenhum novo contato.

Outra situação marcante foi uma empresa de desenvolvimento de softwares relacionados à música. Sem dúvida a instituição com a qual mais me identifiquei. Para a seleção, fiz provas online sobre lógica de programação e conhecimentos de desenvolvimento web, a análise do currículo dependia do rendimento nesses testes.

Fiz as provas, me senti confiante e bem ao realiza-las. Porém, no fim, não consegui a vaga. Mandei e-mail para o RH perguntando se A falta do diploma foi determinante para a decisão deles e se dariam alguma dica para futuras seleções. Eles responderam prontamente, abaixo uma cópia da resposta:

Você foi bem nas provas online mas analisamos muitas variáveis alem das notas. Acho que você ficou praticamente no limite de ser chamado mas ficamos na dúvida justamente por causa do seu perfil profissional e da falta de experiência na área. Acabou que outros candidatos tiveram uma nota final maior que a sua.

Sobre ter diploma na área digo que não é eliminatório, temos gerentes e desenvolvedores que não tem formação acadêmica aqui na empresa. Mas isso é uma das variáveis que analisamos, só não tem o mesmo peso que o que você demonstra de capacidade técnica e suas experiências anteriores.

Sobre conhecimentos, acredito que você está no caminho certo (Afinal você ficou entre os 50 melhores de 380 candidatos mais ou menos), Python é uma linguagem bacana e criar projetos no Github é muito bacana para demonstrar o que você sabe. Aqui, nossa linguagem principal hoje é Go (só que não é muito usada pelo mercado), mas temos muita coisa em Python e PHP.

Espero ter respondido suas dúvidas.

Essa reposta aumentou minha admiração pelos valores da empresa e o desejo de um dia integrar sua equipe. Não consegui a vaga, mas aumentou o ânimo para continuar a busca.

desenvolvedor sem diploma

Os projetos e movimentação das redes

Os projetos no GitHub aos quais fazem referência no email, foram criados durante o curso que fiz e há outros, de cunho pessoal, apenas para não perder a prática. Além desses, continuo exercitando e aprimorando meus conhecimentos dentro da Fiocruz, desenvolvo pequenos programas que me ajudam muito nas tarefas do dia-a-dia, mas esses, por envolverem dados confidenciais das pesquisas, não posso divulgar.

Entendo que é fundamental não ficar parado e sempre programar algo, assim nos mantemos aprendendo e fixando conhecimento. Sou iniciante, mas essa é minha dica a todos.

A minha busca continua, nesse início de 2018, consegui minha primeira entrevista pessoalmente com o RH de uma empresa. É uma empresa grande na qual a atividade-fim não é criação de softwares, mas possuem um departamento de desenvolvimento para criar e manter seus serviços. Estou com boa expectativa.

Enfim, esse é um resumo da minha história como iniciante e já apaixonado por programação, são minhas tentativas de mudar de área. Em paralelo, mantenho o estudo de ferramentas mais específicas para conciliar a programação com a farmácia, mas isso é história para outro post.

Esse post foi escrito por Samuel Almeida.

Linkedin: https://br.linkedin.com/in/samuelralmeida
Github: https://github.com/samuelralmeida

1 comentário


  1. Olá Samuel. Tudo bem?
    Queria dizer que estou no mesmo dilema que você, somente uns passos atrás. Sou formada em Ciências Biológicas e trabalhava em um laboratório de microbiologia.
    Até tentei entrar em outra graduação que era Farmácia. Fiz 1 semestre. E deixei de lado, queria tentar algo longe da Biológicas.
    Ai encontrei a programação mais especificamente Python. Com alguns dias consigo meu diploma de iniciante na programação.
    Ainda não apliquei pra nenhum emprego, sinto que ainda é cedo e preciso praticar mais.

    Mas estava nesse dilema, mercado ruim pra área, então decidi mudar completamente. Mas me encontro naquela duvida se não estou perdendo tempo aprendendo essas linguagens, e também na impossibilidade de pagar um curso na área de analise, ou sistema de informação que ajudaria alavancar meu currículo.

    Gostaria de saber como está sua trajetória agora em 2019. Se conseguiu emprego mesmo sem um “canudo”.

    Obrigada.
    Atenciosamente
    Raíssa Azevedo

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